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quinta-feira, 9 de maio de 2013

SESSÃO CULT: "ANTENA CRÍTICA" TRAZ ESTREIA DE COLUNISTA MARIANA NOGUEIRA


    Não é de hoje que os canais de Tv influenciam a grande massa. O comportamento, as vestimentas, o modo de falar, as anedotas e as considerações baseadas em uma estética criada pela televisão, trazem um sentimento de impotência diante das ações dos grandes na Tv. Evidentemente, a manipulação está na Tv, como nas próprias relações pessoais. Fazemos aquilo que nos é prudente, como forma de atingir um objetivo. Não estritamente, pela forma como se dá, mas pela estranha capacidade do ser humano em acreditar estar sendo o tempo todo observado e coagido. Há a crença de que os manipuladores são maiores que os manipulados e que a grande maioria faz parte do segundo grupo, valendo a ressalva para a televisão e para o convivio social. Mariana Nogueira procura trazer um pouco de sua essência no texto "Epidêmica manipulação", que revela a preocupação do ser humano manipulado. 

 Epidêmica manipulação

    “É espontânea sua aproximação. Serena, amigável, adorável. Adorável no mais sublime significado da palavra, adorável na mais pura inocência que possa existir. Adorável vítima, adorável piada, adorável...
     São poucas as vezes nas quais acreditamos confiantemente que algo é exatamente como parece ser, e são nessas poucas vezes que percebemos como podemos ser facilmente enganados e como temos prazer em sermos manipulados. Como é fácil a maneira que a vida e seus supostos “dominadores” se aproveitam de nossas fraquezas. Somos tão vulneráveis que quando acreditamos na vida desacreditamos das pessoas, e quando acreditamos nas pessoas consequentemente desacreditamos da vida. Ora, mas se somos conscientes de toda essa monstruosa penalidade para com nós mesmos porque não a evitar? Porque não esquecer e deixar que apenas a infanda respiração seja motivo para o perambular diário ao qual somos impostos? 
Percebo, sem dizer que sei. Aliás, se posso fazer uma básica diferença entre mim e Sócrates é a de que ele ao menos algo sabia, mesmo que fosse o nada. Enquanto eu, não sabendo de nada, ao menos sempre existi, sem necessitar ser uma incógnita como ele. 
     Estaria então aí o gancho para todas as respostas? O que somos a mais que Sócrates além de carne e osso? O que somos a nós mesmos além de viventes e sobreviventes da mais completa desilusão?
    Eis que não mais encontro palavras. Quem sou afinal para achar que devo procurar respostas para tantas perguntas que nada querem dizer?
    Sou aquela que responde com questões, aquela que questiona com respostas, aquela adorável piada, aquela adorável vítima, aquela adorável...
    Sou a nuvem mais negra que o céu, caso realmente exista, possa ter emoldurado. Sou a penumbra da mais terrível dor e o crepúsculo do mais intenso luar. Sou em forma de letras a esperança, e em pouco mais de vinte linhas, como faço agora, sou capaz de me tornar o “des” de tal palavra. 
  Continuarei nessa saga, manipulável e manipuladora. E você que agora se encarrega da próxima dose, será capaz de presentear-se com a própria vida? Ou prefere ainda, assim como eu, fazer com que nessa simples frase você passe a pensar o que eu penso?
   Falando nisso, o que você estava falando mesmo?”

Mariana Nogueira


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