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terça-feira, 14 de maio de 2013


ANTENA CRÍTICA: UM ENCANTO EM UM GRANDE CANTO


   O poder e o dom da palavra são armas indestrutíveis para um indivíduo. Muitas são as pessoas que não gostam de poesia, fato este herdado de uma falta de dinamismo por parte de grande parte dos “divulgadores” de tal arte. Pensando nisso, o pianista português João Vasco idealizou o espetáculo “Poema Bar”, que traz como alvo principal a exibição dessa intensa harmonia entre Brasil e Portugal, levando Vinícius de Moraes e Fernando Pessoa em uma só síntese. Alexandre Borges encabeça esse grande elenco que junta poesia, teatro e música em uma só receita. A magia e o encanto desse “aedo”, tão conhecido da teledramaturgia brasileira é capaz de transformar e levar de forma simples o melhor do sentimento escrito. Na última segunda-feira, durante o festival de teatro “Tiradentes em Cena” na cidade de Tiradentes, a colunista Mariana Nogueira acompanhou o espetáculo e conta com emoção como foi essa experiência.

 
Um encanto em um grande canto

  “Que não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure”. É com doces e simples palavras como essas que Alexandre Borges traz a tona toda uma cultura em forma de emoção.
  O nome “Vinícius de Moraes” não é estranho pra ninguém, posto que em controvérsia “Fernando Pessoa” também não. Afinal de contas, não estão ambos estampados em frases que muitas vezes nem são de sua autoria nas redes sociais?
  Toda a elegância e louvor desses dois poetas são com maestria desbravada e desgarrada de um só elo: A língua portuguesa. São poetas, seres dotados de defeitos e virtudes. Muito provavelmente eles não imaginavam que tinham tanto em comum e tão pouco puderam saber. Ver e ouvir Brasil e Portugal longe de um Brasil x Portugal, cantar e sonhar ao sentir uma nação de encontro a outra, uma crença abraçada a tantas outras sem preceitos nem preconceitos.
  Já dizia Pessoa: “Todos os lugares são o mesmo lugar, todas as terras são a mesma, e é eterna e de todos os lugares a frescura que sobe por tudo”. Dessa maneira, nesse elo desapegado, nessa luta por ideais, nesse círculo tão direto nasce um projeto capaz de mudar o pensamento e a alma de quem tem a honra de vê-lo, mesmo sem entendê-lo.
  É tão difícil decorar uma fórmula para a felicidade, para a plenitude instantânea, mesmo que não nos preocupemos com a existência ou não de prazos de validade. Imagine então, poder admirar pronta uma fórmula que desvie um pouco a nuvem escura que tantas vezes insistimos em colocar a nossa frente, como tropeços para um caminho que tão fácil deveria ser.
  Não existem maneiras para agradecer tamanha sensibilidade ao criar algo tão simples e tão útil, tão prático e tão discernido.
  Que mais “aedos” como Alexandre Borges possam estampar longe de todo um estrelismo o reconhecimento de toda uma vida de palavras infinitas.

Mariana Nogueira

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